1º dia na capital
Estou ansiosa e com medo, bem, estou com mais medo do que ansiosa. Fiquei acordada a noite toda pensando em como será minha adaptação nessa cidade, que diferente da minha, é grande tanto em extensão quanto em habitantes. As pessoas estão sempre apressadas e com aquela cara de “poucos amigos”.
Ficar longe da minha terra me deixa angustiada e com ressentimento, e já sinto o aperto no coração por deixar minhas duas meninas sozinhas com minha mãe. Espero que entendam que estou fazendo isso pelo bem delas, que se estou ficando longe delas é para poder lhes garantir algo no futuro. Algo que não tive devido a meus problemas conjugais com meus ex-marido.
2º dia na capital
Fui encontrar minha sócia para resolvermos o quadro de horários para cada uma, decidimos que eu abriria o bar às 7:00 e ficaria até as 15:00 e ela pegaria o turno das 15:00 às 22:00.
Fiquei feliz que pelo menos ela me deixou escolher um horário mais flexível, até por que não acho muito seguro andar na cidade grande a noite.
3º dia na capital
Acordei as 5:30, peguei dois ônibus até a estação rodoviária. Chegando lá, abri as grades da pequena lanchonete, limpei o chão e em seguida coloquei os produtos no mostruário.
Perto das 7:15 chega o primeiro cliente, um homem em seus 30 anos, bem-apessoado e com um chapéu de fazendeiro, uma cara bem arrogante e com um sotaque de interior. Me pediu um pingado e ficou conversando sobre um trator que queria comprar, o que fez com que eu ignora-se ele de primeira.
Recebi a ligação da minha sócia aos gritos, quando do nada, várias pessoas começam a correr e a gritar desesperadamente, a policia e os militares atiravam na multidão como se não fossem nada. Muita gente correndo em direção ao bar, só me dei conta que coisa tava preta, quando que por impulso o “fazendeiro metido” fecha as grandes junto com um garoto que não tinha nem 16 anos. Fiquei com pena do menino, que era tão magro.
Depois de alguns minutos em pânico, o barulho diminuiu e no lugar ficou um silêncio muito assustador. Só ficava imaginando o que poderia ter acontecido? Será que começou uma guerra? E as minhas filhas, será que estavam bem?
Fui direto ligar para minha mãe, e para o meu desespero, o telefone estava sem sinal. Não ficamos muito tempo no bar, porque o senhor que estava com a gente tinha uma camionete, o que na hora me deixou mais aliviada. Levamos bastante água e alguma coisas para comer.
O nosso plano inicial era pegar algumas armas na loja de armas que ficava perto da rodoviária. Não sabíamos bem certo o que estava acontecendo, mas já estávamos nos preparando para o pior. Em direção a loja, fomos atacados por várias pessoas que estavam enfurecidas e com os rosto e o corpo todo machucado.
Corri na frente para abrir a loja, nunca pensei que alguns anos ajudando meu ex-marido a assaltar lojas iam servir para alguma coisa. Pois bem, deixamos o menino no volante… Não demorou muito e, do nada aparecem várias pessoas com umas caras assustadoras. Atirei em alguns e corri em direção ao carro.
Em alguns km começamos a ficar ser gasolina e paramos perto de um posto enquanto o guri pegava gasolina pra gente. O vaqueiro começou a falar sobre os porco e as vaca dele, por pouco não dei um tiro naquele cabra abestado. O guri estava demorando muito, então pedi pra ele dar uma olhada se estava tudo bem com o magricelo.
Eles demoram e para o meu azar chegaram mais daqueles monstros, devia ter no mínimo uns 15 ao meu redor. E nossa, como eles fediam, me dava uma vontade imensa de vomitar.
E por sorte eles chegaram. O guri, de negro estava branco que nem uma cera, suando e com várias mordidas no braço. Coitado, ainda teve que nós guiar pela cidade em busca de um hospital.
A gasolina acaba depois de alguns km, devido a um tiro no tanque. Encontramos o hospital que estava coberto por um grande saco plástico. Estava preocupada com o piá, ficamos em duvida se ficaríamos por lá ou se íamos para outro lugar. Não tínhamos tempo, demos uma volta pelo hospital para ver se tinha alguma outra entrada.
Fomos surpreendidos por um soldado aparentemente armado. Ele disse que ia nós deixar em um lugar seguro e fomos seguindo ele até um edifico. Ficamos em um dos andares descansando, e aparentemente seguros…











